quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O ESPÍRITO GREGÁRIO

O argumento do isolamento. A reprovação da consciência, mesmo entre os mais conscienciosos, é fraca em comparação com o seguinte argumento: «Isto ou aquilo é contrário aos costumes da tua sociedade.» O olhar frio, a boca contraída de parte daqueles entre os quais e para os quais a pessoa foi educada, eis o que mesmo o mais forte teme. Que é que ele verdadeiramente teme? O isolamento! Este argumento é capaz de abalar mesmo os melhores argumentos para uma pessoa ou para uma causa. Assim se exprime, em nós, o espírito gregário."

Friedrich Nietzsche, A Gaia Ciência (1882)

DA LUCIDEZ

"Não podia haver fórmulas para fixar as pessoas em si mesmas, senão quando as pessoas, no medo de perderem a segurança das causas, as inventassem, e se atribuíssem a si mesmas motivações que não tinham ou que não eram exactamente aquelas. Sendo assim, não havia diferença alguma entre os imbecis e os lúcidos, entre os honestos e os patifes. Ou só uma diferença: o quererem ser lúcidos, e o quererem ser leais. Era então muito pouco o que restava: uma lucidez sempre imperfeita, e uma lealdade sem objecto seguro."

Jorge de Sena, Sinais de Fogo

DA GREVE

Ontem, pela manhã, um automóvel relativamente novo, ornamentado com duas bandeiras vermelhas e equipado com uns altifalantes poderosos, passava uma voz rouca que afirmava que "os trabalhadores da função pública não são responsáveis pelo despesismo, que os trabalhadores não são responsáveis pelo estado a que as coisas chegaram". Talvez concorde. Em parte. No entanto, não deixo de concordar também que trabalhadores que têm um vínculo de trabalho permanente, um sistema de acesso à saúde fantástico e beneficiado de condições que mais ninguém beneficiou (estou a pensar nos aumentos salariais de 2009, por exemplo) não poderiam deixar de ter o reverso da medalha: trabalham para um patrão falido. E contra o poder imponderável da realidade - não há dinheiro - sobra, de facto, a questão da responsabilidade; e essa afere-se de forma muito simples: em quem andaram os trabalhadores da função pública a votar nos últimos quinze anos? É que a responsabilidade de facto não mora unicamente num pretenso curso de "filosofia" em Paris.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

DON'T SELL ME ANYTHING

Andrew Bird, 'The Privateers', Noble Beast (2009)

FORA A CHINA

Fora a China! A China é má! O comunismo é mau! Abaixo o Hu Jintao! Chop suey é uma bosta! A bandeira chinesa é feia! O hino pior! Cheira mal na China! Lixem-se os comunistas chineses!

Ah, adoro o cheiro a liberdade pela manhã.

CENSURADO

Acabei de descobrir que este blog, com certeza devido aos ataques aqui proferidos contra a nação chinesa, está bloqueado - censurado, portanto - na China. Uma maravilha a ditadura, não é?