sexta-feira, 7 de setembro de 2012

HAJA CONFIANÇA

Ver a conferência de imprensa do BCE com o Vítor Constâncio e o seu ar compungido e pleno de auto insuflada importância deixa-me muito mais descansado: esta gente sabe o que faz.

O NOVO E O BOM

Considerar que uma coisa por ser nova será, à partida, uma coisa boa  - o progresso é bom - é um postulado tão válido como considerar que um alimento apenas por ser saboroso fará bem à saúde.

STATISTICS


ÀS ARMAS: INVADA-SE A ESCADINÁVIA

Qual Troika, qual quê, isto sim seria um desastre. Enquanto se vai vivendo num tempo onde tudo aquilo que é novo significa forçosamente que também é bom, já eu, cada vez mais, vou vendo os senhores progressistas como o demónio destruidor de tudo aquilo que faz a vida valer a pena. No final sobrarão os demónios e as tristezas do que foi, raios os partam.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O VAZIO

Sobre as incoerências mentais do Sr. Carreiras já abundei com bastante precisão e aturada paciência aqui. Talvez por isso vou-me divertindo a ler as "suas" crónicas às Quartas-Feiras no jornal i, sempre curioso para descortinar no meio da retórica redonda  - redondinha - qual é o moinho de vento que Carreiras vai agora combater ou quais - também abundam - as soluções mágicas para os problemas do mundo: entre a retórica vazia contra a retórica vazia dos outros e as propostas de uniões dos mundos portugueses ou, consoante o seminário a que Carreiras assistiu nessa semana, talvez ibéricos para, segundo ele, constituírem blocos fundamentais e salvíficos no mundo (talvez ficasse bem sentado Carreiras ao lado de Chavez, não saberemos nunca), enfim, entre uns e outros há de tudo. Até manifestos sobre a bondade canina, os quais, aliás, também os partilho, principalmente na apologia das qualidades caninas, das quais, como todos sabemos, a fidelidade se realça perante todas as outras. No entanto, e a propósito de fidelidades caninas, assuma-se que, apesar do vazio, numa coisa Carreiras sempre foi coerente: palavra puxa palavra e, páginas tantas, lá está o homem a defender o chefe: sempre a elogiar, a enaltecer ou a puxar o lustro às botas de Passos Coelho. E assim se foi andando no mundo das "crónicas" de Carreiras. Até hoje. Ora, então não é que o homem hoje deu em mandar vir com a falta de rasgo e de esperança do discurso de reentré de Passos Coelho. Não deixa de ser curioso que é quando as águas se agitam e a coligação abana que logo vêm alguns ajudar a picar. E logo quem tanto lustro passava. Curiosa coincidência. E que crítica fundamentada faz Carreiras ao Primeiro-Ministro? Que falta rasgo, que não entusiasma, que falta esperança. E que pede Carreiras? "Que as lideranças políticas compreendam a necessidade de mostrar que o país  tem amanhã. Que há lugar à esperança.Está na hora de nos mobilizarmos todos num grande movimento de restauração da esperança em Portugal". Toda esta grandiloquência que grita muito alto sem dizer nada ao mesmo tempo que afirma que "a resposta não passa por discursos grandiloquentes e não passa por vender ilusões"... Para além da tendência inconsciente de Carreiras sempre advogar grandes "mobilizações" e grandes "movimentos" que juntem todos, fica aqui a capacidade infinita do vazio reclamar contra ao vazio ao mesmo tempo que clama pelo vazio. No fim sobra uma ideia: para cão fiel, Carreiras começou a morder a mão do dono: talvez lhe cheire a outro tempo; ou, quiçá, talvez os donos, não sei, por entre falados e não desmentidos aventais e ambições ferozes, hoje em dia já sejam outros. Infelizmente, entre Relvas e Carreiras, este é o PSD que temos. Eu bem avisei aqui que se queremos um Governo forte e capaz de atacar os interesses instalados precisávamos de um PSD liderado por outra gente. Quando vier a remodelação governamental (se calhar é por isso que os (in)fiéis se agitam) logo veremos para que lado isto vai tombar. Quanto a mim, pessimista estou e, infelizmente, mais pessimista vou ficando.

O ESPELHO DA PÁTRIA

Vale a pena ler este artigo sobre a "escrita" da Margarida Rebelo Pinto. A mim deixou-me fascinado e, ao mesmo tempo, profundamente agradecido a quem se deu ao trabalho árduo de ler o ilegível. No entanto, aquilo que me ocorre perguntar será: então e o que dizer do país que elege tamanha sapiência como a sua autora mais vendida? Falido, pois claro. Será caso para dizer que, como diria alguém, não há coincidências.

A PSIQUE SOCIALISTA

Como funciona a mente e o discurso socialista nesta "opinião": em primeiro lugar a falácia de que os rendimentos acima dos 10000€ são de uns privilegiados que não pagam a crise: é falso pois quem mais ganha mais impostos paga; não é à toa que os escalões do IRS são progressivos (quanto maior o rendimento maior a percentagem paga, o maior escalão está acima dos 40%!). Em segundo lugar, o desconhecimento de como a realidade de facto funciona: quanto mais quiserem taxar o capital mais o capital se vai posicionar noutras paragens que não nas portuguesas, ou seja, mais taxa e mais imposto dará no final menor receita; não adianta (ou não se deve) tentar combater a realidade. Finalmente, é mais uma das vozes a clamar por ter o Estado a sacar mais aos seus contribuintes em vez de ter o Estado a baixar as suas despezas para níveis comportáveis para esses mesmos contribuintes. Assim se vê como o socialismo pensa sempre como devem os cidadãos estar ao serviço do Estado em vez do Estado ao serviço dos cidadãos. A fotografia está, de facto, muito bem lá para os lados do Largo do Rato.