sábado, 17 de abril de 2010

COMO A IGNORÂNCIA E O MEDO DESTROEM A LIBERDADE

É precisamente este discurso que é o responsável pela fascização crescente na civilização ocidental. Estes "peritos" iluminados não compreendem que a total segurança é uma impossibilidade e que apenas o risco e a incerteza são garantidos companheiros da vida. A pseudo-segurança será sempre, por um lado, ilusória porque não existindo absoluta segurança (tal como não existe nada em absoluto a não ser a absoluta incerteza que nos acompanha pela vida fora) andaremos a comprar aquilo que não pode ser comprado; por outro lado, a pseudo-segurança, demonstra-se muito perigosa porque nunca se atingindo o objectivo da "segurança" então o tal "preço a pagar por ela" será uma factura que, infinitamente, será sempre maior e, nunca deixando de crescer, porque o objectivo que se propõe adquirir nunca chega, haverá o triste momento em que da liberdade não restará mais do que uma longínqua e saudosa memória. Mas vá-se lá explicar isto a estes materialistas dialécticos cheios de convicções e certezas como o Sr. Comissário.

FIM DE CICLO

O problema da mentira é que tem perna curta. Bem podem estes nela continuar a insistir que o resultado será sempre o mesmo: o desastre. E, num assomo de arrogante premonição, arrisco dizer que quando o desastre chegar a culpa será daqueles que há muito o tentam impedir. Os marquetistas trauliteiros que desbarataram o que não tinham, esses, serão as vítimas da perfídia dos insidiosos inimigos da pátria que contra tudo e contra todos bem tentaram avisar do que já há muito deveria ser por demais evidente. Assistindo a tudo isto, de fora é certo, passo rapidamente da frustração irritada a uma espécie de aceitação pacífica. E com a mesma tranquilidade assumo que, na evidência (porque é disso mesmo que se trata) da falência do instrumento da razoável e racional discussão humana como solução para a problemática do futuro, sou forçado a compreender que tamanha tarefa não se pode fazer com todos. Cá estarei para ver como, após o desastre, muitos dos que vergonhosamente se calaram serão os primeiros a pedirem o pelourinho e o bidão de gasolina. Eu empresto-lhes o isqueiro que se queimem uns e outros, os que se calaram e os que nos roubaram, que se queimem todos numa enorme e frondosa fogueira de vaidades que o que isto precisa é mesmo de uma limpeza generalizada. E depois começamos de novo. Como sempre.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

8 DE ABRIL

O meu pai faria anos hoje. Não consigo deixar de o ver nas suas coisas, consigo, connosco e comigo, aqui e ali, cá e acolá. Respiram-me as coisas que ele considerava importantes, a que dava valor, das quais se ria e as que o irritavam ou entristeciam. E já cá não está. E perante tal facto tudo o que achamos tão importante deixa cair a máscara da importância e permite entrever a verdadeira irrelevância da sua essência. Também eu um dia deixarei de estar. Todos nós. E tudo o que achamos importante hoje mais não será do que as recordações de alguns que por aí sobram e que, tal como nós hoje, se espraiam esvoaçando por um espaço e um tempo para o qual se viram atirados, despejados sem saber de onde nem para onde, sem saber porquê. É assim a vida: faz-se de incompreensões em vida e de memórias em morte. Incompreensões sentidas e memórias sentidas. No desespero da irrelevância de tudo consola-me aquele abraço, aquelas palavras que mais do que nunca, são e serão tudo para mim.

CONFUSÃO

Faz-me confusão (muita) o vazio emocional de algumas pessoas. Nesta era de rápida e superficial tecnologia, estes humanos agarrados aos telemóveis e aos portáteis interagem sem ter de ser cara-a-cara. E quando não é preciso dar a cara o valor da interacção decresce de imediato. O outro não é alguém perante quem nos sentimos julgados nos nossos erros ou a quem atribuímos o valor do "outro"; não, ao invés, o outro é um mero conjunto de pixeis que descartamos com um leve e displicente toque de dedo no ecrã. E nascem estes novos seres, atarefados no seu materialismo dialéctico, cheios de reuniões e afazeres muito importantes, que na penumbra da distância tecnológica são assim e na angústia do toque e do cara-a-cara são assado. Faz-me confusão. Na superfície parecem uma coisa e quando vamos a perscrutar na profundidade do seu ser afinal descobrimos serem outra. Faz-me mesmo confusão porque não percebo como podem estes seres almejar outra coisa que não a angústia permanente da ausência do outro. É que sem o outro, não há felicidade. Apenas solidão.

E DEPOIS DA PAUSA

Temos um novo Residente do PSD. Não votei nele mas, considerando que o clima de guerrilha interna que tem degradado o PSD é absolutamente insustentável, reconheço-lhe a legitimidade da vitória, o grande resultado que obteve e dele espero a capacidade de juntar o melhor do PSD para ultrapassar as dificuldades que se avizinham para o país.  Que não haja dúvidas: o objectivo é o de salvação nacional desta videirice peçonhenta socialista que nos atola, afunda e deprime neste miserabilismo auto-infligido. O objectivo é a justiça e a liberdade de uma melhor qualidade de vida para o nosso país. E, evidente será, que só com o PSD no seu melhor tais nobres e essenciais objectivos serão possíveis. A partir de Domingo, nas eternas palavras de Camões, "cesse tudo o que a antiga musa canta que valor mais alto se levanta". Ámen.

Adenda: uma última palavra para Manuela Ferreira Leite que sai de cena. Uma senhora. Séria, correcta, preferiu perder uma eleição a perder a razão. E teve razão, antes de todos, em tudo o que disse. O país é o que fazemos dele e a escolha do socretinismo sobre ela foi nossa. Nossa e só nossa. Cada um tem o que merece. Fica a referência a alguém que me parece dever ser uma referência.