Nina Hagen, My Way (1980) [aqui em 2004]
sábado, 8 de janeiro de 2011
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
DA SOCIALIZAÇÃO
Quando cozinho para mim, única e exclusivamente para mim, tudo é radical: os alhos, o azeite, o jindungo. Quando cozinho para os outros, porque sei que os gostos são mais suaves, amenizo, tempero; acalmo. No fundo, é como a diferença entre os pensamentos que me assolam e as palavras que profiro. Não passo de um conformista.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
CONSIDERAÇÕES SISTÉMICAS
As pessoas tendem a pensar que o problema do país é o sistema. Discordo frontalmente: todas as comunidades terão de ter forçosamente comandantes (uns poucos) e comandados (a maioria); a forma como um comandado se transforma num comandante, o processo que garante que o comandante comanda o comandado e a aceitação do comando dos comandantes por parte dos comandados configura um sistema de poder, o tal sistema que é criticado. Como não há sociedade sem sistema, a questão não será portanto criticar o sistema mas sim criticar as razões pelas quais o sistema funciona mal. O mesmo problema pode ser visto no discurso da extrema-esquerda (BE + PCP, inimigos da propriedade privada, logo inimigos do sistema) que afirma como adversários os ricos e poderosos (uns poucos que comandam) que oprimem os trabalhadores e os pobres (a suposta maioria que é comandada). Este discurso não faz qualquer sentido percebendo a dinâmica sistémica da sociedade: haverão sempre uns (poucos) que têm mais que a maioria; a questão não é a invejosa cobiça do muito que os poucos têm mas sim, a solidária e imperativa aferição do pouco que os muitos têm. E nunca os muitos tiveram tanto como o têm hoje em dia. E nunca a miséria e a escravidão foram tão grandes como nas comunidades que se organizaram em torno do ideal igualitário, ou seja a utopia de uma sociedade sem diferenças sociais, um sistema sem comandantes. Torna-se óbvio que a questão não é a existência de um sistema, portanto. A questão que se torna premente compreender é que um sistema de humanos é, como não poderia deixar de ser, um sistema organizado, pensado e utilizado por humanos. Todos os sistemas são perfeitos no papel; todos os sistemas falham na prática. A razão para tal coisa é, evidentemente, a natureza humana: corrupta, invejosa e mesquinha. Soluções? Não há forma de mudar a natureza humana mas uma sociedade - uma outra palavra para sistema - organizada em torno de valores como a honra, a honestidade e o respeito pelo próximo (mesmo que apenas para o outro ver) funcionará sempre melhor que uma sociedade - sistema - organizado em torno da cobiça, da inveja e do atomismo social. O verdadeiro combate não é contra o sistema mas sim pelo triunfo dos bons valores da humanidade; uma luta do Bem contra o Mal, portanto.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
O CICLO DO PODER
Uma das grandes ilusões do nosso tempo é a crença de que vivemos em democracia. Aquilo que chamamos democracia na realidade é uma coisa diferente do governo do povo: o povo, de facto, não governa, o povo apenas escolhe quem governa. A Democracia (o governo de todos) pressupõe a igualdade entre as partes que compõem o todo e, por essa razão, a verdadeira forma de nomeação governativa numa democracia - tal como o foi na antiga Grécia - é o sorteio: numa sociedade de iguais capacidades é indiferente quem governa; numa sociedade de iguais não há melhores, logo todos merecem por igual governar e apenas a fortuna do sorteio resolve a situação de uma forma moralmente igualitária. Já na nossa democracia moderna (definida como representativa) o povo não governa: o povo escolhe os melhores para governar; ou seja, na prática, trata-se de uma Aristocracia (o governo dos melhores) se bem que electiva. O problema aqui é que, por um lado recusa-se a ideia de que o povo pode governar mas, por outro, já se aceita a ideia de que pode escolher quem governa. Considerando que para eu escolher avisadamente entre duas hipóteses eu tenho de compreender o que está em disputa, a simples noção de que quem nada percebe de governação pode compreender - e por isso escolher - eficazmente quem são os melhores para governar representa um paradoxo ontológico. A esta república aristocrática todos são chamados: os melhores para governar e os não-melhores para escolher. É, no mínimo, um equilíbrio difícil que depende acima de tudo da capacidade do povo escolher bem: da boa educação, portanto. No entanto, a realidade é que vivemos cada vez mais numa república oligárquica do que numa república aristocrática: os escolhidos para governar apesar de serem alguns (mais do que um e menos do que todos) não são os melhores. E com as actuais elites governantes cada vez mais apropriadas dos poderes, controlando os mecanismos de nomeação governativa e perpetuando-se no poder, o elemento republicano do sistema é cada vez mais diminuto em relação ao oligárquico. E a tendência acentua-se. Todo este desequilíbrio na república tem sido disfarçado pela abundância material: uma comunidade rica tende a reclamar pouco e a interessar-se pouco pela vida da própria comunidade. No entanto, o actual ciclo de riqueza baseado num consumismo individualista desmedido que cria dívida sem criar valor pode muito bem estar a chegar ao fim; e aí, como sempre, virá a contestação. Da contestação à repressão e desta à escravidão e posterior revolução libertadora são os eternos passos dos quais se escrevem as páginas da nossa História. Infelizmente aprendemos muito pouco e com a crescente superficialização tecnológica totalitária que nos assola cada vez aprendemos menos. A escravidão que infelizmente se segue será, por essa exacta razão, total, avassaladora e tristemente brutal.
NA ESTRADA PARA LADO NENHUM
Nós somos governados por ignorantes (porque pretendem tudo saber) e por incompetentes (porque não sabem o que fazem). São duas coisas distintas mas igualmente fatais: o governo da ignorância resulta no governo da incompetência e este traduz-se infalivelmente por pobreza, escravidão e guerra. Não há riqueza onde há incompetência e por essa razão, sem abundância, sobra a disputa violenta pelos escassos recursos existentes.
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