domingo, 31 de março de 2013

DECRETO HORÁRIO

Costumo jantar às nove horas da noite mas hoje, sem me aperceber, jantei às dez. É apenas natural: os hábitos e o corpo - bem como os homens - não se mudam por decretos governamentais.

sábado, 30 de março de 2013

TÃO ACTUAL


A ESQUERDA RADICAL

O Jornal i revela hoje o que já se sabia: que o movimento 'Que Se Lixe a Troika' é uma coutada disfarçada de militantes do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português. Diz o Jornal i que "[a] primeira conclusão é que a entrada no QSLT [Que Se Lixe a Troika] não é fácil. O facto de os subscritores do manifesto do movimento terem de ser convidados e o alargamento estar dependente da aprovação interna é visto, confidenciaram ao i várias fontes do QSLT, como a prova de que este grupo não está aberto a todos, como defendido publicamente. O movimento apresenta-se, por outro lado, como apartidário, mas, segundo diversas fontes do movimento relataram ao i, quatro dos seis membros que compõem o núcleo duro são militantes activos do Bloco de Esquerda (BE) e do Partido Comunista Português (PCP). Segundo as mesmas fontes, Belandina Vaz, João Camargo e Marco Neves Marques são militantes do BE, enquanto Tiago Mota Saraiva pertence ao PCP. Já Magda Alves e Nuno Ramos de Almeida não estão actualmente filiados em nenhum partido, mas Alves tem um percurso ligado ao Bloco de Esquerda, enquanto Ramos de Almeida, actualmente editor-executivo do jornal i, foi durante 23 anos militante do Partido Comunista, passando mais tarde para o BE, onde foi eleito em 2005 para a mesa nacional (órgão máximo daquele partido entre congressos). É este grupo de seis que define as linhas orientadoras do movimento, estando a maioria na génese da sua criação" (aqui). Algumas perguntas: se a luta da esquerda radical é honesta e aberta porquê esconderem-se atrás de movimentos pretensamente apartidários? Têm medo de não ter adesão aos seus verdadeiros programas radicais? Não é profundamente anti-democrático esconder do povo que se pretende mobilizar a verdadeira agenda de acção política? Lá está: quem é que disse que a esquerda radical era "democrática"? Talvez os mesmos que adulam Chavez ou dizem ter dúvidas de que a Coreia do Norte não seja uma democracia.

quinta-feira, 28 de março de 2013

MODERN DAYS


O REGRESSADO

Não vi a entrevista a sócrates, o pequeno. No entanto, apanhei algumas coisas sobre o conteúdo da dita pelo Facebook e houve um fogacho de sapiência que me parece paradigmático: um comentário onde o regressado aparentemente terá esclarecido não haver distinção entre 'filosofia' e 'ciência' política. Poderia utilizar a afirmação para dizer que o energúmeno não sabe do que fala mas parece-me curto. Ele sabe do que fala. E se assim for apenas uma conclusão subsiste: é sócrates, o pequeno, o portento da sapiência, um iluminado que transforma o exercício da dúvida na mais fina certeza absoluta e inabalável. Uma maravilha. E regressado, que nem o Ressuscitado, imagina-se agora, naturalmente, capaz de milagres: afinal quem reduz o infinito à infalibilidade positiva é capaz disso e muito mais. Não foi à toa que escolheu a Páscoa para regressar, pois claro: o circo está montado. Adivinhem quem são os palhaços?

DA VIDA REAL

Via o blog Malomil deparei-me com esta pérola: a vida continua, pois claro. "A queixosa, de nome Alzira e vizinha do cantor, alega que o tema insinua que os dois «tiveram um caso amoroso» e que a canção a torna alvo de chacota popular. Diz ainda que até as crianças da freguesia já cantam «o grilo da Zirinha» e que sempre que ouve o tema fica «uma pilha de nervos».Na primeira audiência do julgamento, que decorre no Tribunal de Braga, a queixosa ficou nervosa, desmaiou e teve de ser assistida por um médico do INEM, quando o juiz decidiu «passar» aquele tema. (...) Na letra, Miguel Costa apresenta a Zirinha como amiga e diz que um dia lhe pediu para que a ela a deixasse tocar no «grilo». «Zirinha não pôs isso em questão», não disse que não, e então o cantor começou «a apalpar». No refrão, João Miguel repete, alegremente «Cacei o grilo na toquinha, cacei o grilo à Zirinha»." Estou com saudades, admito.

terça-feira, 26 de março de 2013

TUDO COMO HABITUALMENTE

Reformar a sério, diminuir a despesa do Estado e cortar a eito com interesses instalados são coisas que o Governo não consegue fazer. Já instalar pseudo-espiões, maçons e arguidos da justiça na Presidência do Conselho de Ministros é mato. Enfim, chama-se o viver como habitualmente. Gosto particularmente da ideia de que o Governo cria um "posto de trabalho": é que o desemprego não é para todos.